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Reflexões sobre os desfiles do Bloco das Carmelitas Imprimir Email

Com 26 anos de existência, o Bloco das Carmelitas é, em si, um exemplo claro da criatividade e bom-humor dos cariocas, que sempre procuram o lado (ou qualquer aspecto) positivo das coisas, buscando o ânimo de seguir adiante e motivos para se manter alegres. É a própria alma carioca. Partindo de uma lenda, que muitos asseguram ser verdade, o bloco homenageia e se inspira numa freira carmelita,  que, dizem, costumava pular o muro do convento da ordem, no nosso bairro, para brincar o carnaval.
     Ocorre que tanta criatividade e animação acabaram atraindo a atenção do público em geral de uma maneira absurdamente insustentável, já que, há muitos anos, observa-se um inchamento exagerado do bloco com a presença maciça de “foliões” vindos de toda parte, sem nada terem a ver com o bloco e com o bairro e, portanto, sem qualquer compromisso com a preservação do espaço.

comentários
CONFIRMANDO
Escrito por Visitante em 2006-03-28 08:27:31
Amigos, vizinhos e companheiros de infortúnio, 
Com essa mensagem no InformaSanta, procurávamos ocupar um espaço de debate democratica e gratuitamente oferecido para discutir problemas do nosso bairro. 
Sem nenhuma pretensão de assumir algum papel de "bastiões da verdade" , o que queríamos era simplesmente debater com os demais moradores o significado dos desfiles do Bloco das Carmelitas pelas ruas do bairro. 
Até que alguém nos prove o contrário, estamos certos de que a relação custo/benefíco de tais desfiles é extremamente alta para todos os moradores e comerciantes de Santa Teresa - ou seja, a alegria de ver o bloco passar é suplantada pelos dissabores que temos que enfrentar em seguida. 
No nosso "manifesto", não quisemos particularizar nada. Ao contrário, buscamos retratar os problemas e perigos aos quais todos igualmente estamos expostos. 
 
Para incentivar a participação coletiva neste debate proposto, queremos relatar dois problemas absolutamente particulares, mas que, somados aos problemas particulares dos demais, podemos chegar a uma posição comum: 
O primeiro problema se chama ACEPRAN. Quem tem e tem carinho pelos seus animais domésticos tem esse produto sempre no armário. Trata-se de um calmante para animais (que, às vezes, nós mesmo temos vontade de tomar) sem o qual nossos três cachorros e dois dos nossos gatos têm que tomar para aliviar o estresse que os fogos e a própria algazarra provocada pela passagem do bloco provocam. 
(Evidentemente, que, nesse momento, ficamos mais desguarnecidos e desprotegidos que o Museu da Chácara do Céu esteve durante o desfile da sexta-feira). 
O segundo problema é mais geral porque diz respeito à paisagística local: há cinco anos, tentamos cobrir nosso alto e extenso muro com heras (aquela plantinha vulgarmente chamada de unha de gato). Pois, a cada carnaval, o processo de desenvovimento das plantas é afetado pela urina fartamente despejada pelos "foliões" e pelo óleo fervente que sobra no tacho dos barraqueiros de frituras. 
Há outros prejuízos que poderíamos relatar, mas, por enquanto, nos limitaremos a estes, só para incentivar as mensagens de apoio e repúdio (sim´, repúdio - isso faz parte do processo). mas temos que dialogar!!!!!! ... e temos esse magnífico espaço para isso. 
(Quando esse assunto tiver chegado a um nível adequado de debate, vamos continuar "empentelhando", trazendo para a discussão temas como o cocô dos cachorros nas ruas). 
Vamos conversar!!!....
Já estava pensando nisso....
Escrito por Ave em 2006-04-02 22:20:05
Quando ouvi a história da freirinha que foge para curtir o carnaval, a imagem que se formou na minha cabeça foi dela indo para o Centro. Agora, com todos os problemas que o bloco tem apresentado, a primeira coisa que pensei foi na descida pela Ladeira de Santa Teresa até, pelo menos, a Lapa. Não é muita ladeira não, o animadíssimo povo de Olinda pula em ladeiras por todo o Carnavel. 
Outra coisa que ocorre é que o comércio aparentemente aprova tudo isso, porque fatura mais, mas na hora da passagem dos blocos muitos fecham as portas. Só quem aproveita mesmo são os camelôs, que incomodam o ano inteiro, mas no Carnaval se excedem. 
Parabéns pela iniciativa de colocar esse problema em debate. Vamos ver se o povo de Santa Teresa vai conversar sobre isso ou vai dar uma de avestruz, enterrando a cabeça no chão até o bloco passar....

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     De cima, dos balcões e janelas das casas e prédios, a verdade é que não se vê um bloco, no real sentido do termo. Os seus integrantes, “uniformizados” com um véu de freira estilizado na cabeça, não conseguem se juntar em bloco, como convém a um bloco, tal é a  presença de estranhos no meio. O que se vê, são véus dispersos na multidão.
     Não cabe querer propor, em tempos desta democracia duramente conquistada e da qual não abrimos mão, a volta das odiosas cordas / cordões de isolamento que antigamente impediam a participação popular (e aí, não só no carnaval), mas está cada vez mais evidente que o desfile está totalmente fora do controle dos seus responsáveis, tendo deixado de ser uma brincadeira criativa e sadia, tornando-se uma monstruosidade indomável que ameaça a segurança dos próprios foliões, dos moradores do bairro e do patrimônio particular e público (registre-se que, neste ano, ladrões até se aproveitaram da gigantesca mobilização que se forma desde a concentração para, tranqüilamente assaltar o museu da Chácara do Céu, o que pode acontecer com qualquer residência, sem que ninguém se dê conta).
     No seu percurso, o bloco, com toda a turba que o acompanha, ocupa, durante horas, cada milímetro de um longo trecho da Almirante Alexandrino, principal artéria viária do bairro, tornando absolutamente impossível o trânsito de qualquer tipo de veículo, qualquer que seja o tipo de necessidade ou emergência. É mesmo muita sorte que até hoje não se tenha registrado nenhuma tragédia decorrente de uma ambulância, um caminhão dos bombeiros ou um carro da polícia não ter conseguido chegar a seu destino ou mesmo iniciar sua missão. É também muita sorte que nesses 26 anos não tenha havido nenhum alarme (ou falso alarme) que provocasse alguma espécie de pânico coletivo, o que certamente teria conseqüências catastróficas. É muita sorte, mas a sabedoria popular diz que não se pode abusar da sorte...
     Enfim, acontecem  (ou podem acontecer) coisas que, com certeza, nunca passaram pela cabeça da nossa freirinha revolucionária e inspiradora, que queria apenas se divertir...  Acreditamos que, hoje, ela, sabendo em que se transformou seu atrevimento, não pularia mais o muro...
     Para quem está considerando que essas ponderações são coisa de gente elitista, frustrada,  que não gosta da alegria do carnaval, vejamos o que dizia nos dias que antecederam o desfile da sexta-feira, dia 20/02, o site do Samba&Choro (referencial indiscutivelmente necessário para todos os que querem conhecer a agenda cultural/musical da cidade e totalmente insuspeito quando se trata de promover e divulgar os eventos que realmente merecem ser freqüentados):
     “Brincar de carnaval no meio do casario antigo e das ruas de paralelepípedo de Santa Teresa é um barato, além de sempre se encontrar velhos amigos. Todo mundo de capuz de freira, em homenagem ao convento das Carmelitas, também é engraçadíssimo. Mas de qualquer forma, prepare-se para ficar horas parado no mesmo lugar, ouvindo um carro de som horrível (como quase todos) com a bateria volta e meia resolvendo tocar um funk.  Outro problema sério é que em  Santa Teresa todo mundo acha que é artista, portanto se prepare para um número acima do normal de pentelhos com tamborins que atravessam a bateria. O bloco também tem inchado muito, ficando grande demais para as estreitas ruas do bairro. Nem pense em passar por lá de carro.... (o grifo é nosso). O desfile termina no Largo dos Guimarães”.
     O desfile termina no Largo dos Guimarães (na terça-feira, com a inversão do sentido, termina na Dias de Barros) ... mas o drama dos moradores ainda vai se estender por toda a noite, já que não ocorre a imediata dispersão dos “visitantes”, que permanecem pelas ruas de Santa Teresa quando já não há mais nada que os anime ou justifique a presença, a não ser a cerveja – quase toda adquirida não no comércio formal do bairro, mas junto aos ambulantes e barraqueiros que invadem a região e a única coisa que aqui deixam, no final, é o lixo. Lixo, aliás (onde se encontram perigosos cacos de garrafas quebradas) que, nem com todo o esforço do pessoal da limpeza pública, é possível estar totalmente removido no dia seguinte, mesmo com a colaboração dos moradores, que, entre outras providências nesse sentido,  gastamos litros e litros de desinfetante para retirar da frente das nossas portas e de sob as nossas janelas os asquerosos odores e vestígios das “necessidades fisiológicas” satisfeitas ali mesmo, na rua, por toda parte (às vezes até dentro dos nossos jardins e garagens, através das grades e portões).
     Não estamos criticando o consumo de álcool (do qual, aliás, não nos privamos), mas os exageros e a falta de civilidade, que vemos acontecer  quando a passagem do bloco, que motivou a concentração de tanta gente, já ocorreu há tanto tempo e cervejas atrás, que está totalmente embotada nas memórias.  Nesse momento, já não temos mais nada que se aproxime de algo que possa ser chamado de  “espírito do carnaval”.
     Enfim, não há como, com sinceridade e responsabilidade, defender os dois desfiles do Bloco das Carmelitas no formato atual. Não se pode continuar a desafiar a sorte dessa maneira, nem desrespeitar todo o bom senso e por em risco estupidamente a segurança e os direitos dos indivíduos, sejam moradores ou visitantes. É preciso uma ruptura, como a suspensão dos desfiles por algum tempo,  para “baixar a febre” e, quem sabe, num futuro não distante, o Bloco das Carmelitas possa desfilar de novo em bloco, como convém a um bloco.
     Caso entendam, contrariando o bom senso, que o desfile dos Carmelitas já é uma exigência pública, fazendo parte, inclusive, do calendário turístico da cidade, e que, apesar de todos os riscos e prejuízos causados, trata-se de uma tradição que deve se mantida, sugerimos uma mudança no percurso: que, no desfile, o bloco continue a se concentrar na Dias de Barros, desça a Ladeira de Santa Teresa, faça uma reverência especial, diante do Convento, à freirinha que teria começado tudo isso e termine em grande apoteose diante dos Arcos da Lapa.


por Francisco Turetta da Costa e Maria Nazareth Ferreira


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Escrito por Visitante em 2006-03-28 08:27:31
Amigos, vizinhos e companheiros de infortúnio, 
Com essa mensagem no InformaSanta, procurávamos ocupar um espaço de debate democratica e gratuitamente oferecido para discutir problemas do nosso bairro. 
Sem nenhuma pretensão de assumir algum papel de "bastiões da verdade" , o que queríamos era simplesmente debater com os demais moradores o significado dos desfiles do Bloco das Carmelitas pelas ruas do bairro. 
Até que alguém nos prove o contrário, estamos certos de que a relação custo/benefíco de tais desfiles é extremamente alta para todos os moradores e comerciantes de Santa Teresa - ou seja, a alegria de ver o bloco passar é suplantada pelos dissabores que temos que enfrentar em seguida. 
No nosso "manifesto", não quisemos particularizar nada. Ao contrário, buscamos retratar os problemas e perigos aos quais todos igualmente estamos expostos. 
 
Para incentivar a participação coletiva neste debate proposto, queremos relatar dois problemas absolutamente particulares, mas que, somados aos problemas particulares dos demais, podemos chegar a uma posição comum: 
O primeiro problema se chama ACEPRAN. Quem tem e tem carinho pelos seus animais domésticos tem esse produto sempre no armário. Trata-se de um calmante para animais (que, às vezes, nós mesmo temos vontade de tomar) sem o qual nossos três cachorros e dois dos nossos gatos têm que tomar para aliviar o estresse que os fogos e a própria algazarra provocada pela passagem do bloco provocam. 
(Evidentemente, que, nesse momento, ficamos mais desguarnecidos e desprotegidos que o Museu da Chácara do Céu esteve durante o desfile da sexta-feira). 
O segundo problema é mais geral porque diz respeito à paisagística local: há cinco anos, tentamos cobrir nosso alto e extenso muro com heras (aquela plantinha vulgarmente chamada de unha de gato). Pois, a cada carnaval, o processo de desenvovimento das plantas é afetado pela urina fartamente despejada pelos "foliões" e pelo óleo fervente que sobra no tacho dos barraqueiros de frituras. 
Há outros prejuízos que poderíamos relatar, mas, por enquanto, nos limitaremos a estes, só para incentivar as mensagens de apoio e repúdio (sim´, repúdio - isso faz parte do processo). mas temos que dialogar!!!!!! ... e temos esse magnífico espaço para isso. 
(Quando esse assunto tiver chegado a um nível adequado de debate, vamos continuar "empentelhando", trazendo para a discussão temas como o cocô dos cachorros nas ruas). 
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Quando ouvi a história da freirinha que foge para curtir o carnaval, a imagem que se formou na minha cabeça foi dela indo para o Centro. Agora, com todos os problemas que o bloco tem apresentado, a primeira coisa que pensei foi na descida pela Ladeira de Santa Teresa até, pelo menos, a Lapa. Não é muita ladeira não, o animadíssimo povo de Olinda pula em ladeiras por todo o Carnavel. 
Outra coisa que ocorre é que o comércio aparentemente aprova tudo isso, porque fatura mais, mas na hora da passagem dos blocos muitos fecham as portas. Só quem aproveita mesmo são os camelôs, que incomodam o ano inteiro, mas no Carnaval se excedem. 
Parabéns pela iniciativa de colocar esse problema em debate. Vamos ver se o povo de Santa Teresa vai conversar sobre isso ou vai dar uma de avestruz, enterrando a cabeça no chão até o bloco passar....

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